14 de julho de 2017

O meu (per)curso na faculdade


Fiz uma licenciatura em Turismo e Gestão de Empresas na Lusófona do Porto, entrei em 2014 e acabei em 2017. Eu acho que já contei aqui que não foi a minha primeira opção, queria Psicologia e corri imensas universidades para encontrar o que mais me agradava, em termos de propinas e de cadeiras. Tive que ir para uma universidade privada porque não tinha média para Psicologia no Porto e para a minha família era mais cómodo pagar a universidade (sem ainda saber se podia “ganhar” bolsa) do que uma casa fora da minha cidade.

Cheguei a inscrever-me em Psicologia na Lusófona, mas em menos de cinco minutos fiz uma nova candidatura, desta vez, em Turismo, porque vi o plano de estudos, pareceu-me fácil e porque, na minha cabeça, eu nunca quis exercer a função de “psicóloga” per se, eu simplesmente queria aprender mais sobre esta minha paixão e idealizava fazer, depois, mestrado em neuropsicologia. Pelo contrário, eu sempre quis ser hospedeira de bordo, coisa que hoje em dia já não me fascina tanto, e, então, achei que Turismo seria mais indicado por essa e por outras mil razões.

Então, porquê Turismo? Turismo está realmente muito in atualmente, quase tudo o que olhamos ou imaginamos, podemos dizer que há uma vertente turística naquilo e eu tinha noção que a taxa de empregabilidade em psicologia era realmente muito baixa comparada com este curso. Turismo porque eu adoro línguas, porque adoro culturas diferentes, porque adoro o convívio com diferentes nacionalidades. No início, nunca pensei querer ter contacto direto com o cliente, porque eu sempre fui muito reservada e tenho um medo enorme de falhar e, sempre gostei de ser o ratinho de laboratório, a pessoa por de trás das ideias, nunca a que as apresentava. Hoje em dia, 3 anos se passaram e também depois do estágio e de um “amadurecimento”, adoro tudo o que seja ter contacto direto com o turista. Adoro falar com eles, adoro a admiração, o contacto, a realidade, tudo. Deixei um pouco de lado o sonho de hospedeira porque, quando tudo isso começou nunca pensei entrar numa relação como a que tenho hoje e, também, não tinha realmente noção dos sacrifícios que teríamos que fazer. Vida de hospedeira é “muito boa”, gratificante e tudo mais, mas, na minha opinião, é melhor para pessoas que não têm a ambição de casar em breve, ter filhos, fazer uma vida com outra pessoa. Não deito fora esse sonho, claro que não, mas apenas ficou de lado.

E porquê a Lusófona? Neste caso, foi por uma questão de ser mais prático (em relação a transportes públicos) e pela vertente de Gestão no curso de Turismo. Em termos de prestígio e renome, não sei se voltaria a escolher porque até mesmo os nossos professores nos avisam que temos que trabalhar mil vezes mais que pessoas saídas de outras casas porque a Lusófona, principalmente a do Porto, tem realmente um lado negativo associado a ela. Em termos de professores e da universidade em si, sim, voltava a escolher a Lusófona. Os nossos professores são mesmo muito bons, alguns são “conhecidos” nesta área, tive a sorte de apanhar alguns que hoje já não estão lá, um deles conhecido na ANA e na EASA. Para além de reconhecidos, também são muito humanos. No 1º ano não notei muito isso, mas com o passar do tempo (e como cada vez se vão ligando mais a nós) tornam-se realmente pessoas mais bondosas.
Desengane-se, mas desengane-se bem, quem pensa que as privadas só servem para dar notas porque estou muito aborrecida com a média com que acabei. As notas nem sempre correspondem à realidade do que fazemos, verdade, mas nunca para cima. Pelo menos no meu caso. Sempre tive notas abaixo das esperadas e não conheço ninguém que possa dizer o contrário no meu curso.

Como é o curso? O curso para além de ser acessível é super completo. Temos a vertente teórica, um pouco excessiva, mas também temos a vertente prática, que mesmo sendo pouca, nos ensina bem. Temos cadeiras que nos passam maior conhecimento “geral” e da prática, e poucas com a história da carochinha, ainda que estas existam. Acho que no global, é um curso bem feito, com bons horários e a única coisa que trocaria era a disposição de algumas cadeiras. Por exemplo, métodos de investigação (que nos ensina a melhorar os trabalhos, de forma mais académica, entre outras coisas) poderia ser no 1º ano, em vez de ser no 2º. Gestão Hoteleira poderia passar para o semestre anterior, em vez de ser no mesmo semestre que o projeto, pois é a cadeira mais trabalhosa que temos. Estas são as mais salientes.

Como é a praxe? Minto se disser que cada vez é melhor. No meu ano de caloira, a minha universidade estava de fora da FAP (Federação Académica do Porto) e todas as atividades que tivemos não eram “treinadas” para agradar a academia, não fomos puxados até ao limite para aguentar o Magnum Consilium Veteranorum, que nos podia praxar em qualquer altura e em qualquer sítio da cidade. No primeiro ano fomos realmente mais livres, mas não tivemos tantas atividades em conjunto. A única vantagem que a FAP nos trouxe, na minha opinião, foi podermos entrar na noite negra da FAP. De resto, continua tudo igual, à exceção de se notar mais o “temos que ser os melhores”, “temos que mostrar porque fazem bem em aceitar-nos” e afins. De resto, nunca poderei dizer que a praxe é má, que é dura, que são estúpidos connosco, que somos maltratados ou o que quer que seja. Nunca me senti suficientemente mal para dizer que queria desistir, fiz muito boas ligações graças a isso e os melhores momentos que passei nestes 3 anos, foram, na maioria, devido à praxe.

Como isto já está a ficar demasiado longo, eu só queria dizer que nunca acreditei nos anos de secundário serem os melhores da nossa vida, mas os anos da faculdade ainda fiquei em dúvida, e, realmente, são muito melhores que o secundário devido a mil e uma razões.
Não tive o percurso que queria desde o início, pois só me fui apercebendo das coisas ao fim, mas não me posso arrepender de nada nem pensar em fazer de maneira diferente algo que no fim correu tão bem e me deixou tão grata e com o sabor de missão cumprida. Já estou com uma saudadinha ao escrever isto, já estou naqueles dias em que sinto que posso chorar a qualquer momento por pensar que estou licenciada, algo que eu tanto queria.
Só me resta agradecer a todas as pessoas que me acompanharam quer nestes três anos, quer apenas num ou outro. Obrigada.

Estou licenciada!

7 comentários

  1. Muitos parabéns pela licenciatura ! Acho que Turismo é um curso bastante interessante !
    Beijinhos :)
    http://ganeshamyganesha.blogspot.pt/

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  2. Parabéns!! A mim ainda me faltam mais dois anos (espero)!

    Beijinhos
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  3. Antes de mais muitos parabéns! Depois, Turismo é efetivamente uma escolha que está muito in e as opções de saída são muitas! Espero que tudo te corra bem agora :)

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  4. Adoro ler posts deste tipo, ajuda imenso!
    Beijinhos :)
    https://dailyvlife.blogspot.pt/

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  5. Muitos parabéns Daniela :) Achei este post super interessante, não só para o pessoal que está noutros cursos, mas também para as pessoas que vão entrar no ensino superior no próximo ano. Desejo-te a maior das sortes para o teu futuro.
    João, Náměstí J

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  6. Parabéns pela licenciatura. Sê muito feliz a exercer a profissão.

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  7. Muitos parabéns pela licenciatura! Boa sorte para o futuro.

    GIULIETTA

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