9 de dezembro de 2013

Embora para mim ainda seja um daqueles dias em que estás a descansar de tarde por te doer a cabeça, lá no fundo eu sei que não é. Sei que vou ter que me habituar à tua ausência mas espero que esta dor não seja constante. Ainda não parei de chorar, ainda não parei para comer, nem sequer estou em mim.
Se soubesses o quanto gosto de ti, se algum dia eu te tivesse dito o pai que eras para mim, neste momento estaria com menos mágoa e mais descansada por saber que partiste sabendo o quanto te adoro e o quão agradecida te estou.
Continuo à espera que entres pela porta, que reclames comigo, que me mandes pôr os óculos enquanto estou no computador, ou que me digas que já é tarde e a minha mãe quer-me cedo em casa. Mas ainda há pouco estive contigo e tu estavas deitado, com as mãos juntas no peito, todo arranjado e à espera de receber as pessoas que tanto te amaram em vida.
Não é só por mim, é pela avó, pela mãe, pela madrinha, pela tia... Tu sabes que elas precisam de ti. Eu também. Foste a única figura paternal na minha vida e não arranjaria melhor. Só tu sabes o jeito certo de mandar vir comigo, de ficar irritado, só tu te sabes importar e eu nunca vou ter nenhum homem como tu na minha vida.
Como a avó disse, ainda estamos à espera que os médicos peçam para levar um pijama porque vais passar a noite no hospital para curar a tua teimosia. Ainda espero que saias de lá com mais vida. Com menos vontade de ir lá parar outra vez.
Eu sei que isto não adianta de nada, mas: volta vô, por favor.
Descansa em paz.
20.12.1939 - 09.12.2013.

2 comentários

  1. Lamento imenso! :/
    Vai tudo melhorar, vais ver.

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  2. A dor de perder alguem é tao grande, sei-o da pior maneira. Levanta a cabeça

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